TV divulga imagens de jornalista saudita pouco antes de desaparecer em Istambul

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O canal estatal turco TRT divulgou imagens nesta quarta-feira, 10, do grupo de inteligência saudita que acusa de ter assassinado o jornalista crítico a Riad Jamal Khashoggi, aumentando a pressão sobre a Arábia Saudita e a preocupação internacional com o caso. As imagens mostram movimentações de 15 pessoas ao redor do consulado saudita em Istambul, registradas há uma semana, quando Khashoggi desapareceu.

A Arábia Saudita ainda não se manifestou sobre as imagens, que apesar de não fornecerem prova definitiva do destino do jornalista, foram transmitidas em redes de televisão turcas e ao redor do mundo. Autoridades da Turquia temem que o grupo tenha assassinado Khashoggi, que havia publicado textos críticos sobre o príncipe herdeiro do país, Mohammed bin Salman. O reino saudita rejeita as alegações, classificando-as de "infundadas".

Apesar da negação, o país não ofereceu evidências para fundamentar sua alegação de que o jornalista deixou o consulado ileso e desapareceu na cidade de Istambul, enquanto sua noiva o esperava do lado de fora do prédio.

Políticos nos Estados Unidos, país aliado de Riad, alertaram que qualquer dano causado ao contribuinte do Washington Post colocará em risco as relações entre os americanos e o país saudita, maior exportador de petróleo do mundo.

Sequência

As imagens transmitidas pela TRT mostram Khashoggi entrando no consulado no dia 2 de outubro. Uma hora e 54 minutos depois, segundo o relógio do próprio vídeo, um veículo Mercedes Vito preto com placas diplomáticas, similar a uma van que estava estacionada do lado de fora do consulado quando o escritor entrou, percorre por 2 quilômetros até a casa do cônsul, onde para dentro de uma garagem.

Todas as imagens parecem vir de câmeras de segurança da região que abriga o consulado saudita e outras missões diplomáticas, mas nenhuma delas parece ter registrado imagens de Khashoggi saindo do consulado.

O jornal Sabah, próximo ao presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, publicou imagens do grupo suspeito, descrito como "esquadrão de assassinato". As fotos foram aparentemente registradas em um escritório de controle de passaportes. Segundo o jornal, os 15 homens fizeram check-in em dois hotéis em Istambul no dia 2 de outubro, e saíram no mesmo dia.

Já a rede de notícias NTV identificou um dos membros da equipe como o chefe de uma agência de ciência forense saudita. O canal afirmou que ele pode ter sido responsável por limpar qualquer evidência incriminatória, mas não citou uma fonte para as informações.

Khashoggi havia escrito uma série de colunas para o Washington Post críticas ao príncipe saudita Mohammed, que tem liderado uma campanha para reformar a monarquia sunita conservadora, mas também tem ordenado prisões de ativistas e empresários.

Erdogan não acusou a Arábia Saudita de ser responsável pelo desaparecimento de Khashoggi, mas disse que caso os sauditas tenham imagens do escritor saindo do consulado, elas devem ser divulgadas. O país é um grande investidor na Turquia, apesar do apoio de Ancara ao Catar, atualmente sob bloqueio liderado pela Arábia Saudita e outras três nações árabes.

Ajuda

Também nesta quarta, o Washington Post publicou uma coluna assinada pela noiva de Khashoggi, Hatice Cengiz, dizendo que o jornalista visitou o consulado pela primeira vez em 28 de setembro, "apesar de estar um pouco preocupado de que poderia estar em perigo". Ele retornou no dia 2 de outubro para pegar a documentação necessária para se casar com sua noiva.

"Neste momento, eu imploro ao presidente Trump e à primeira-dama, Melania Trump, para ajudar a esclarecer o desaparecimento de Jamal", escreveu Hatice. "Eu também peço à Arábia Saudita, especialmente ao Rei Salman e ao Príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, para mostrarem o mesmo nível de sensibilidade e divulgar os vídeos de segurança do consulado", acrescentou. "Embora este incidente possa potencialmente alimentar uma crise política entre as duas nações, não vamos perder de vista o aspecto humano do que aconteceu."

Khashoggi havia tentado se tornar um cidadão dos EUA depois de viver em um exílio auto-imposto desde o ano passado, temendo repercussões de suas críticas ao príncipe, escreveu Hatice.

Trump, que fez sua primeira viagem ao exterior como presidente dos EUA ao reino saudita e cujo genro, Jared Kushner, tem laços estreitos com o príncipe Mohammed, disse na terça feira 9 que ainda não havia conversado com os sauditas sobre Khashoggi, mas que o faria "em algum momento".

O ministro das Relações Exteriores turco, Hami Aksoy, disse também na terça que autoridades sauditas haviam notificado Ancara de que estavam "abertas à cooperação" e permitiriam que o prédio do consulado fosse revistado. No entanto, não está claro quando tal busca poderia ser realizada.

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