De emo a Bollywood: folia para todo gosto

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São Paulo cansou de ser acusada de túmulo do samba e agora decretou: o carnaval mais democrático do País provavelmente está por aqui. Abrindo alas para a diversidade, crescem movimentos que mostram que, durante a folia, a rua tem espaço para a festa de todos os estilos - para quem gosta de marchinhas e samba tradicional, mas também para aqueles que, em outros anos, simplesmente fugiriam para o mais longe possível do carnaval. De comum entre eles, muita música e Glitter.

É uma tendência dos últimos anos e está cada vez mais variada. Neste ano haverá espaço para o emo - tipo de rock mais emocional - e clássicos da música francesa. Há espaço também para a marcha imperial de Star Wars, enquanto se consolidam blocos de rock, punk, jazz e até danças indianas. Tudo em um sincretismo bem bolado com batuques e pandeiros.
É o caso do Unidos do Swing, que desfilará pelo quarto ano consecutivo. "Nossos arranjos e nosso canto são uma mistura entre o jazz e o samba, tentando achar conexões históricas e culturais entre os dois ritmos e as duas culturas", conta o músico Henrique Mendonça, de 30 anos, um dos idealizadores do bloco. O grupo sai em cortejo com 40 músicos, 50 dançarinos e 20 artistas circenses misturando o swing jazz - predominante em New Orleans (EUA), na década de 1930 - às marchinhas, ao baião e até a ciranda.

Com a mesma proposta de aproximação de culturas, desfilou este ano no pré-carnaval o bloco Amelie Pulando. Há três anos, o grupo quase foi criado com o nome Ivete Piaf - uma brincadeira que une a cantora de axé Ivete Sangalo e a artista francesa Édith Piaf. Tocamos La Vie en Rose em frevo, Édith Piaf, Água Mineral, músicas do Chiclete com Banana, Rapunzel e Minha Pequena Eva em francês", diz a cantora Julia King.

Também em seu primeiro desfile no carnaval, o Bloco Emo promete levar às ruas um público que não tem o costume de participar da folia de rua. Conhecidos pelo gosto por músicas tristes, roupas pretas e cabelos lambidos para o lado, quem é fã do estilo geralmente rejeita a alegria do carnaval.

O grupo apresentará versões carnavalescas para canções de bandas como Fresno, NX Zero, Green Day e My Chemical Romance. Tudo rearranjado por uma bateria de escola de samba e uma banda com instrumentos clássicos do rock, como baixo e guitarra. "O público será o que frequenta os shows dessas bandas. Então, apesar de ser carnaval, pode ser que apareça muita gente de preto", diz Alexandre Cavalcanti, sócio da agência Pindorama, idealizadora do projeto. Não irão faltar lágrimas no rosto. Mas, desta vez, de Glitter.

Anos 1980. O ponto forte no repertório do bloco Chega Mais, com som dos anos 1980, são os artistas brasileiros. Lulu Santos, Rita Lee, Olodum, Gonzaguinha, Gilberto Gil e Djavan nunca faltam. Neste ano, a novidade serão as músicas estrangeiras: de David Bowie e do filme Footloose. A banda inteira toca fantasiada. De Freddie Mercury à Formiga Atômica, de Beetlejuice a cubo mágico, de Emília do Sítio do Picapau Amarelo ao He-Man. "Tudo é baseado em personagens dos anos 1980, da nossa infância", diz o administrador de empresas Rodrigo Bueno, de 42 anos.

Também desfilam pela quinta vez neste carnaval os fãs de punk rock do Bloco 77 - Originais do Punk. Um dos fundadores do grupo, o produtor audiovisual Anderson Boscari, de 33 anos, quer que novos blocos com propostas de fusão de ritmos surjam na capital paulista, que, para ele, tem espaço suficiente para abrigar todos os gostos musicais.
"Moramos em uma cidade muito grande e o que nos aproxima de fazer carnaval é que é de graça e na rua. Todos podem chegar", afirma. "Cada um gosta de um estilo diferente. Muitos chegam dizendo que não gostavam de carnaval, mas acharam nosso som interessante e passaram a ir porque gostam das músicas", conta Boscari.

Para o professor Alberto Tsuyoshi Ikeda, especialista em etnomusicologia e cultura popular, o carnaval de rua brasileiro retoma o que se fazia no início do século passado. "Nos carnavais de 1900, no Rio e em São Paulo, dançavam valsa, quadrilha e ritmos americanos do cinema mudo. Essa retomada dos blocos de rua reflete uma tendência que atende a nichos de interesse", explica.

"Não tem nada de estranho nisso porque o Brasil, diante da diversidade cultural que existiu, sempre teve isso. Essa visão de que o carnaval é muito ligado ao samba e à marchinha é muito sulista. No Nordeste, os maracatus, o frevo e os afoxés sempre saíram desfilando nas ruas durante o carnaval", diz Ikeda.

Das Índias. Hoje, um dos destaques é o Bollywood, criado em 2016 com a ideia de mostrar um pouco das similaridades da cultura indiana com a brasileira. Assim como no Brasil, as festas de rua são comuns na Índia. Diferentemente do figurino conhecido dos foliões, quem pula carnaval no Bollywood costuma usar peças típicas da cultura indiana como saris, salwar kameez e turbantes, além de muitos acessórios.

"A maioria das pessoas costuma ir vestida com peças indianas, mas tem de tudo. É um bloco bem família, bom para levar crianças", afirma Juily Manghirmalani, de 28 anos, uma das organizadoras do grupo. Na trilha sonora, nada de marchinhas. O que toca é o ritmo bhangra e algumas canções de filmes de indianos - daí o nome do bloco, que remete à indústria cinematográfica do país. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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