No México, Tillerson fala em solução militar para a crise na Venezuela

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A China é um ator "predatório", que oferece à América Latina um modelo de desenvolvimento que pode levar à dependência e ao endividamento, disse o secretário de Estado americano, Rex Tillerson, levando para a região a disputa geopolítica entre EUA e China. "A América Latina não precisa de novos poderes imperiais", afirmou. O chanceler ainda falou de "transição pacífica" conduzida por militares na Venezuela.

As declarações foram dadas horas antes do início da viagem de seis dias que Tillerson fará à região, em um roteiro que exclui o Brasil, e na qual a situação da Venezuela estará entre os principais pontos da agenda.

Poucas horas depois de embarcar, Tillerson levantou a possibilidade de um golpe militar para colocar fim à crise na Venezuela e garantir uma "transição pacífica" de poder. "Na história da Venezuela e de outros países da América Latina, com frequência são os militares que cuidam disso. Quando as coisas estão tão ruins que a liderança militar conclui que não pode mais servir os cidadãos, eles vão administrar uma transição pacífica", declarou durante apresentação da estratégia dos EUA para a região. "Se isso será ou não o caso aqui, eu não sei."

A América Latina foi marcada por ditaduras militares nos anos 60 e 70, mas desde a redemocratização da década de 80, o Exército ficou claramente subordinado ao poder civil na maioria esmagadora dos países, que passaram a ter transições de poder por meio de eleições.

Tillerson disse que os EUA não defendem mudança de regime na Venezuela e ressaltou que gostaria de ver Nicolás Maduro deixar o poder de maneira voluntária. Segundo ele, Washington quer o retorno à Constituição e a realização de eleições livres. "Se ele não for reeleito pelo povo, que assim seja. Se a cozinha ficar quente demais para ele, tenho certeza que seus bons amigos em Cuba podem dar a ele uma boa hacienda na praia e ele poderá ter uma boa vida lá."

Em sua primeira visita a vários países da América Latina, o chefe da diplomacia dos EUA estará no México, Argentina, Peru, Colômbia e Jamaica. Fontes ouvidas pelo Estado disseram que o Brasil não foi incluído em razão da crise política doméstica e da ausência de uma agenda bilateral que pudesse produzir resultados concretos.

"O Brasil está em uma fase de transição, com um governo fraco e impopular, cuja legitimidade é questionada", disse Michael Camilleri, diretor do programa de Estado de Direito do Inter-American Dialogue que trabalhou no Departamento de Estado de 2012 a 2017. "Até que as coisas se assentem não há muito o que ganhar em investir no Brasil."

Em conferência telefônica com analistas, uma fonte da diplomacia americana também disse que os EUA deram prioridade a países que estão aprovando reformas, como a Argentina. Quando visitou a região no ano passado, o vice-presidente Mike Pence também excluiu o Brasil de seu roteiro.

As declarações de Tillerson em relação à China representam uma mudança radical da retórica dos EUA em relação à crescente influência e presença econômica do país asiático na região. "A China está usando instrumentos de governo para puxar a região para a sua órbita", afirmou, fazendo referência à ação de estatais e a empréstimos oficiais. "A questão é a que preço?"

O governo Barack Obama defendia respeito a leis ambientais, trabalhistas e aos direitos humanos, mas dizia que a China teve impacto positivo na América Latina por ter estimulado o crescimento com sua demanda por matérias-primas.

Tillerson contrapôs a estratégia da China à dos EUA. "Enquanto esse comércio trouxe benefícios, as práticas comerciais desleais usadas por muitos chineses também prejudicaram esses países e seus setores industriais, gerando desemprego e reduzindo salários para trabalhadores", ressaltou. "Nós buscamos parceiros com valores compartilhados e visões para criar um hemisfério seguro e próspero." (Cláudia Trevisan)

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